Lisboa

Lisboa. 2014

O que fazer quando está com uma viagem marcada e surge um ataque, uma gravidade no país ou uma epidemia? Pois é este problema que enfrentamos agora, “Ebola”, o mais violento vírus de todos os tempos.

Estamos a caminho da África Ocidental, local onde havia menos possibilidade da doença. Durante nosso voo para Lisboa, foram oferecidas várias revistas. Pedi a mais fútil delas. Tanto a mais fútil como as demais tratam o caso “ebola” na África ocidental, nosso destino.

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O que você faria?

Pois é. Já deixamos de ir para Austrália devido a grandes queimadas. Não fomos a Paris por causa de ataques terroristas. Estávamos na Normandia em plena epidemia da gripe aviária, com duas crianças e por onde passávamos o assunto era a tal gripe. Estivemos na Europa durante a “Vaca Louca”.

Claro que a situação causa uma tensão e até mesmo, momentos de pânico, mas precisamos viver e para isto, nos arriscar, porém com a máxima cautela e confiança nos governantes.

Neste momento escrevo numa aeronave a caminho da África. O que vamos fazer? Tentar nos proteger tomando os cuidados necessários como: usar álcool na desinfecção das mãos, não sentar em vasos sanitários, nos proteger com plásticos ou luvas para abrir portas de sanitários, não comer em locais suspeitos, evitar comer frutas etc.

Quando fomos à Índia, levei uma farmácia. Todos apostavam que ficaríamos doentes, mas nada aconteceu já que tomamos todos os cuidados recomendados.

Quando estivemos no Vietnã, fiz uma micro cirurgia no dedo um dia antes de embarcar. Passei 40 dias desinfetando o local, manchei a maioria de minhas roupas com os produtos, mas nada aconteceu com o meu dedo.

Durante esta viagem, tomaremos todos os cuidados, sabendo que os voos poderão ser cancelados ou sermos mandados para fora do país ou ainda ficar em quarentena (não li nada sobre essa possibilidade. Estou apenas imaginando algumas situações).

Vou relatar uma passagem que aconteceu na Normandia. Com a gripe aviária, estávamos atentos para evitar o contato com aves de qualquer espécie, até que entramos num castelo. Deixamos o carro e fomos a pé em direção a um lago. Quando chegamos, nossos filhos ficaram loucos, pois surgiram centenas de patos de todos os lados. Uma beleza, se não tivesse o surto de gripe. Continuamos a visita e voltamos. Antes de entrar no carro, todos tiraram os sapatos e fomos para nosso apto em frente ao Rio Senna, no interior da França. Até aí tudo bem. Coloquei todos na cama e fui lavar os sapatos com as mãos protegidas. Terminei e fui dormir.

Pouco tempo depois acordei em pânico. Lembrei que lavei as solas dos sapatos numa banheira que usaríamos para o banho. Levantei de imediato e coloquei-me a lavar a banheira e desinfetá-la com álcool e fogo.  Foi uma noite de estresse. Esse pânico me acompanhou por alguns dias, mas não deixei transparecer para minha família. Hoje lembro e acho graça, mas confesso que foi um horror.

Outros fatos interessantes:

– Quando estávamos em Roma, Itália, quando houve o Tsunami. A TV passava informações sobre a tragédia sem interrupções.

– Fomos para o Egito e sentíamos um movimento tenso. Quando chegamos ao aeroporto a tensão aumentou. Embarcamos para Paris. Após quatro horas de viagem, soubemos que Hosni Mubarak tinha caído e a revolução se instalara. Nossa aeronave foi a última a sair do Egito.

– Em 2013, viajamos pelo Leste Europeu. Visitamos Kiev, assistimos a resolução da pendência da Ucrânia com Moscou. Dias depois do nosso embarque estourou o conflito que perdura até hoje.

– Na Grécia nos hospedamos no Hotel Bretanha, na praça do Parlamento, local dos protestos. Novamente ao desembarcar em Paris assistimos pela TV a revolução. Os mármores das escadas da entrada do Hotel Bretanha foram utilizados como arma contra os policiais que protegiam o parlamento.

– Íamos para New Orleans quando teve a passagem do furacão Katrina. Abortamos a ideia e transferimos a viagem para este ano.

Estou lembrando todos estes fatos porque o mundo não para e com ele não podemos parar. Meu marido pegou dengue no sofá de casa e um vírus brutal em Trancoso, anos atrás, só para exemplificar que tudo pode acontecer em qualquer lugar.

CHEGAMOS EM LISBOA.

Enfim chegamos a Lisboa. Nosso roteiro é Lisboa, Serra da Estrela, Madri e África, especificamente Marrocos. Elaboramos esse roteiro porque a outra opção é via Madri, Paris e Lisboa. A empresa de aviação escolhida foi a TAP, na classe executiva ponto a ponto, em função ao orçamento que apresentou uma grande diferença. A TAP está com ótimo serviço e a viagem foi tranquila com vinhos do Douro. Que delicia!

Ficamos no Pestana Palace (reservas: +(351) 210401711 // General: +(351) 213615600/ guest@pestana.com), membro do “The Leading Hotels of the World”, está entre os hotéis mais luxuosos e requintados do mundo. É um palácio do século 19, localizado em Lisboa, num bairro arborizado e agradável no alto da colina. Os seus jardins estão classificados como Monumento Nacional.

Fachada interna Pestana Lisboa
Fachada interna Pestana Lisboa
Fachada do iinterna do Hotel Pestana Lisboa
Fachada do iinterna do Hotel Pestana Lisboa

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Francamente gostei mais da primeira vez. Nesta segunda visita, vi alguns pontos que precisam de manutenção. Os hotéis Pestana geralmente estão próximos de centro de convenções e dedicam-se fortemente ao turismo de negócios.

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Nosso concierge nos recomendou para o almoço, o  Solar do Nunes (rua dos Lusíadas 60,  travessa com a Rua Luis de Camões). Fundado em 1988 é tipicamente português e caseiro, pois a chefe é a mãe do proprietário. Como entrada, tivemos embutidos Joselito, considerados um dos melhores do mundo, oriundos de Salamanca, na Espanha. Os queijos do Alentejo aparentemente parecidos com os da Serra da Estrela, porém estes são mais suaves já que levam leite de ovelha com leve mistura de leite de vaca e outro queijo de Serpa. O vinho da casa em jarra.

 

Restaurante Solar do Numes Lisvia
Restaurante Solar do Numes
Lisvia

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Pedimos cataplasma, porco com bochecha de porco, camarões e cogumelos, um ensopado com pimentões, muita cebola e outros ingredientes. O meu prato, uma perdiz estufada, igualmente ensopada com os mesmos ingredientes, acrescidos de bacon. Arroz de substâncias e batatas fritas no puro azeite, fundamental em todas as mesas.

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DICA: Se você come bem, vai adorar esse prato. Se comer menos, peça um para duas pessoas.

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A história do restaurante é: Vindos do Alentejo, a família de caçadores traz a base do menu, como caças à moda do Alentejo. Todas as receitas são tradicionais, pois a mãe assumiu a cozinha e com isso, conserva os sabores da casa da família. Eu sempre falo: para engordar, coma coisas que valha a pena.

No final da tarde, saímos para um passeio. Fizemos o tráfego do Porto e ficamos muito felizes, pois esta região estava feia e mal tratada e, desta vez, vimos o desenvolvimento e a reurbanização da região, os edifícios restaurados estão novamente à venda como novos empreendimentos e as praças estão com crianças, velhos muitas flores.

“O Mercado da Ribeira é o símbolo do desenvolvimento comercial de outros tempos. Localizado na zona ribeirinha de Lisboa, bem próximo ao Cais do Sodré, com origem no ‘Mercado da Ribeira Velha’, que tinha lugar no largo fronteiro à Casa dos Bicos. O edifício de 1882 tem sofrido as mais diversas alterações, mas hoje está lindo e moderno com pequenos restaurantes e grandes chefs que nos permitem saborear e beber tudo que Portugal pode oferecer, com charme, bom preço, além da companhia de pessoas alegres e atraentes em grandes mesas comunitárias”.

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O mercado fazia o comércio de peixe, frutas e vegetais, tendo ficado famoso pelas suas carismáticas floristas. No ano 2000, a abertura de um outro mercado maior, com melhores infraestruturas e acessos, o Mercado da Ribeira transforma-se em retalhista, com o primeiro piso transformado num espaço de cultura, tradição e socialização.

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Como havíamos saído da mesa, deixamos para o dia seguinte a grande degustação. Paramos na rua Augusta, famosa e animada rua de compras com lojas tradicionais e novas em harmonia. Observando o piso em pedras pode-se perceber ou ler as datas de construção de algumas dessas tradicionais lojas. Esse detalhe espalha-se por toda Lisboa e é muito bonito.

 

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Rua Augusta Lisboa
Rua Augusta Lisboa

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O entardecer é lindo principalmente quando os lampiões são acessos e o Sol deixa seu lugar à Lua. É realmente maravilhoso, nos remete a um momento de tranquilidade e paz. Porém, o turismo afasta esta tranquilidade como aconteceu comigo que caminhava com minha velha mochila de viagens de nylon, para não pesar e deixar minhas mãos livres para escrever, além de observar e andar, duas moças me cercaram, sutilmente, como aconteceu em Saint Petersburg, uma delas envolvida num xale grande, mexeram em minha bolsa. Elas não sabiam que a mochila é totalmente trancada e difícil de abrir.

O melhor lugar para ver o por do sol é a Praça do Comércio, mais conhecida por Terreiro do Paço, é uma praça da Baixa de Lisboa situada junto ao rio Tejo, na zona que foi o local do palácio dos reis de Portugal durante cerca de dois séculos. É uma das maiores praças da Europa, com cerca de 36 000 m². Fica perto do arco do Triunfo, que é bem iluminado e magnífico. Da Praça, dá para ver toda Lisboa e até o Cristo iluminado. Somente aqui no Brasil eu soube que a Praça está em pilotis sobre o Mar e que no terremoto de 1755 foi totalmente destruída. Que aflição!

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Encontrei o Wilson que me aguardava na Praça do Rossil e fizemos uma longa caminhada até a av. da Liberdade, principal rua das compras. Passamos no supermercado, como de costume e andamos de carro pelo Chiado e colinas de Lisboa.

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Na manhã seguinte, saímos de carro parando etirando muitas fotos. Paramos na av. da Liberdade para comprar algumas coisinhas, mesmo porque perdemos nossas roupas com o emagrecimento de 10 quilos que tivemos este ano (depois vou escrever sobre este assunto e como fazer para manter o peso em viagens). Não compramos nada porque os preços estavam altos. O próprio Wilson sugeriu que fôssemos para Alcachete.

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O Freeport Outlet Alcochete é o maior outlet da Europa. Neste shopping de céu aberto encontram-se várias marcas a preços muito bons. Fica do outro lado da ponte, muito fácil de chegar. Prepare-se, pois ele é enorme. Há muitos restaurantes, mas apenas dois parecem ser de nível mais elevado, porém não tivemos oportunidade de provar nada devido o horário. Eles fecham às 15h, reabrindo apenas às 19h.

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DICA: Caso você pegue alguma conexão com horários mais esticados, vale a pena conhecer este outlet, pois fica a 40 km do aeroporto.

Depois de tanto andar ficamos mortos e preferimos não sair do hotel. Fizemos piquenique no terraço do nosso quarto que dava para um jardim e uma horta. A lua cheia deixou a noite mais bacana.

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Na manhã seguinte fechamos a conta e passamos no TimeOut para um aperitivo e seguimos viagem.

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