Viagem a Índia

Viagem a Índia

Chegou a hora de visitar a Índia.
Faço yoga há 27 anos. Essa prática faz parte de meu ser. Onde quer que eu vá, o yoga me acompanha. A cada final de dia, mesmo em quarto de hotel, faço alongamento, me espicho, me reviro visando me preparar para o outro dia que virá.
Passei por muitas experiências, vivências e procurei conhecer sobre o assunto o máximo que pude e li uma biblioteca que faço questão de ter bem guardada. Quando alguém me pede emprestado um desses livros, prefiro comprar e dar de presente. Dessa forma, garanto o livro e o amigo, e se for lido ajudo a acrescentar um pouco de bom conteúdo na vida da pessoa.
Com o yoga, a Índia esteve presente em minha vida todos os dias. Cada gesto representa uma simbologia do país, um mito, um Deus, mesmo quando todas as crenças são negadas dentro do yoga (De Rose, por exemplo) é para Índia que vai para constatar e aprender.
Imagine o que essa viagem representou em minha vida! Mas ela não nasceu deste ideal. Estranho, né?
Minha filha, depois de um ano com muitos acontecimentos, aprendizados, sofrimentos, lutas, acompanhado da busca pela faculdade, voltando para casa exausta, um dia me falou: Mãe estou cansada, não pensava em viajar este ano, mas no momento gostaria de sair do mundo, ir para um lugar onde eu tivesse que viver a vida das pessoas, do local, comer o que elas comem, frequentar os lugares que frequentam, e por ai a fora.
Completando ela disse: mas é difícil, já fomos a tantos lugares, acho que não tenho para onde ir. Foi o bastante para eu dizer: vamos para a Índia.
Ela me olho assustada, pensou e disse: Mas e o papai?
– O que tem o papai?
– Ele não vai topar! Não faz o gênero dele.
– Ele vai compreender!
E assim nos acertamos.
Comecei a pesquisa. Localizei pessoas que tinham alguma ligação com a Índia. Imediatamente liguei para minha amiga, Kamito, que habitualmente fica um período por lá, marquei um encontro com Twatwa, meu professor indiano de yoga, conectei a BPW, meus outros professores de yoga e, como sempre, fui à livraria e adquiri livros que me ajudaram muito como: Planeta Índia (Mira Kamdar), Filosofia da Índia (Heinrich Zimmer), Religiões (Coleção Guia Ilustrado Zaha- Philip Wilkinson), Índia (Guia da Folha) e o melhor, Índia Crenças, Costumes e a sabedoria de uma da civilização mais antiga do mundo (Jean-Claude Carriére). Encontrei até um livro das línguas Híndi e Urdu.
Tudo e todos me ajudaram.
É incrível como a gente abre um mundo e ele se abre para a gente. Todos os dias, recebia email de alguém que estava na Índia oferecendo-me ajuda com dicas importantes. Também todos os dias eu e minha filha íamos à casa de meu professor indiano para ter Sat Sanga (aulas) sobre a sabedoria, costumes e contos da Índia.
Numa tarde, não sei como fui parar no bairro da Saúde, em São Paulo, onde havia um swami, mestre indiano, (www.siddhaashram.net), que estava no Brasil fazendo curas. Este chegou até pegar o computador para comprar as passagens e marcar nossa estadia e dispôs-se a colocar uma pessoa a nos acompanhar. Tudo conspirava a favor e fomos ficando cercadas de pessoas dispostas a nos ajudar. Num país totalmente estranho, isso é fundamental.

Meu professor, Twattwa, localizou um amigo swami que havia morado com ele no mesmo mosteiro, ao sopé do Himalaia, por 10 anos, o swami Atama. Por Skype, falávamos sobre a preparação do nosso roteiro, com muita clareza, e fazendo com que entendêssemos como seria a estadia na Índia.
Eu relembrava tudo que já estudara e minha filha, Rafaela, se encantava com histórias de Rama, Chiva, Kali, Lakshi, Vishunun, Saraswati, Draga, Dasharatha, Kan Shilya, Sumitra, Ganesha e os mantras que treinávamos para entender as comemorações e ritos.
Depois de quase um mês de conversas e orientações a nossa programação em terras indianas ficou assim: Nova Delhi, Agra, Jaipur, Varanasi e Rishikesh. Tentamos incluir Tibet, mas teria sido uma loucura pois a minha filha não poderia ficar mais dias. Sozinha eu não ficaria. (esse pensamento era enquanto estava aqui, porque depois de tudo passei, me senti em casa, na Índia).
O vestibular da Rafaela acabou num dia e no dia seguinte iniciamos a viagem. Fizemos São Paulo-Milão com escala. Poderíamos ter ido direto, mas como meu marido iria me encontrar na Itália, fui para facilitar a ele. Só não imaginamos que seriam tão bem aproveitadas as nove horas que ficaríamos no aeroporto.

Milão
Claro que descemos do avião, pensamos e agimos rápido: em nossa bagagem havia uma mala que só usaríamos na Itália porque levá-la para a Índia? Imediatamente separamos tudo que poderia ficar na Itália, pegamos um taxi e fomos direto para Hotel Grand Rose, já conhecido de outra viagem. O Hotel está muito bem localizado, ao lado da Catedral Gótica da Duomo, próximo ao Teatro Escala de Milão e muito perto do centro da moda e gastronomia. Grand Rose tem designer exótico, ótimo café da manhã, restaurante e happy hours. Recomendo.
Deixamos a bagagem no guarda-malas. Livramos-nos de uma mala logo de cara, e isso é tudo de bom. Marcamos com o taxista para nos pegar no final da tarde e levar de volta ao aeroporto para continuar a viagem e tudo correu muito bem. Melhor impossível.
O melhor foi quando saímos do Hotel vimos nas vitrines indicações de “80% saldi”, tem coisa melhor? Corremos tanto que mal vimos Milão e minha filha, em um dia, fez suas compras quase todas com “80% saldi”. Almoçamos na galeria Vitorio e Manuelli, deixamos nossas compras no Hotel e pegamos nosso vôo para Delhi. Aí a viagem foi outra.

Leia a parte 2 – De Milão a Delhi

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